Chamada de Trabalhos

Encontra-se aberto, até 17 de Dezembro de 2012, o período de submissão de comunicações aos trabalhos do III Congresso Internacional em Estudos Culturais, que decorrerá nos dias 28 e 29 de Janeiro de 2013 no Departamento de Línguas e Culturas da Universidade de Aveiro, numa organização conjunta do Programa Doutoral em Estudos Culturais – Universidades de Aveiro e do Minho (Portugal), da Universidade de Deusto (Espanha) e da Universidade de Fortaleza (Brasil).

1. Ócio e Cultura

O presente Congresso tem como objetivo central promover reflexões sobre Ócio, Lazer e Tempo Livre nas Culturas Contemporâneas. A importância desta reflexão prende-se com o fato de o trabalho – que tem ocupado um lugar central no contexto das sociedades contemporâneas – constituir o fator fundamental da produção do sujeito, praticamente excluindo ou desvalorizando todas as outras formas de ocupação do tempo humano. Porém, com o surgimento das teorias dos tempos sociais, os conceitos de ócio, tempo livre e lazer passam a ser objeto de renovada investigação e questionamento no contexto das culturas contemporâneas.

Investigações recentes nesta área referem que o homem do nosso tempo está imerso num caos paradoxal: é a partir desse quotidiano complexo e feito de múltiplas tarefas, que se sucedem e não raro se sobrepõem, que emerge o desejo de livrar-se do acúmulo de obrigações, nas quais os sujeitos submergem os seus dias.

Pelo contrário, fruir o ócio é vivenciar um tempo autónomo e pleno. Porém, os valores herdados da modernidade não orientam os indivíduos para serem/existirem num tempo de “nada fazer” e se a redução da jornada de trabalho gerou o tempo livre, criou simultaneamente a problemática da sua utilização adequada.

A World Leisure and Recreacion Association (WLRA) reconhece o ócio como um direito do ser humano e como uma área específica da experiência dos sujeitos, no âmbito do uso da sua liberdade, concorrendo para o desenvolvimento pessoal e social, fonte de saúde e bem-estar. Nesta perspetiva, o ócio está relacionado com valores e significados profundos. Deste modo, o ócio ganha novas dimensões e sentidos, enquanto experiência significativa e (re)criativa, fonte de desenvolvimento e até prevenção da ociosidade negativa ( auto e heterodestrutiva), tão comum em tempos de crise.

Assim, e considerando que, ao longo da história da criação e organização da sociedade industrial, o trabalho foi a atividade que ocupou um papel central na organização da temporalidade social, este Congresso tem como objetivo debater as seguintes questões:

– Será o ócio a atividade que desempenhará nas sociedades tecnológicas pós-industriais o lugar que foi ocupado pelo trabalho? Sabemos o que é ócio? Por que nos sentimos culpados com a possibilidade do “nada fazer”? O nosso tempo livre é verdadeiramente “livre”, ou é apenas uma libertação de obrigações? O nosso lazer encontra-se comprometido com o nosso desejo ou esgota-se nos apelos do consumo, na sociedade da velocidade?

Assim, a partir destas possibilidades, interpelações e perplexidades, convidamos todos os investigadores cujo interesse se situe nestes domínios a enviarem-nos os seus trabalhos, de modo a que o Congresso discuta as principais dimensões do Ócio nas Culturas Contemporâneas a partir de abordagens multi e interdisciplinares.

2. Organização

O III Congresso Internacional em Estudos Culturais – Ócio, Lazer e Tempo Livre nas Culturas Contemporâneas acolhe três modalidades de apresentações: Conferências, Mesas-Redondas e Grupos de Trabalhos.

Conferências

As Conferências serão proferidas por convidados cujo trabalho científico se revista de notório reconhecimento nacional e internacional.

Mesas-Redondas

As Mesas-Redondas reunirão três apresentações com abordagens diferentes para um tema de investigação, podendo ser propostas por docentes, investigadores ou profissionais das temáticas centrais do evento. As mesas serão coordenadas por um dos participantes, que deve ser indicado na proposta. Nesta, devem constar os textos completos de cada apresentação e um resumo da mesa, que deve ter entre 200 e 300 palavras. A atividade terá a duração de 50 minutos. A data limite de envio das propostas de mesas, com os textos completos, em português/espanhol e inglês, é 7 de Dezembro.

Comunicações Científicas em Grupos de Trabalho

Os Grupos de Trabalho serão compostos por relatos breves de investigações científicas, reunidos em número de quatro a cinco. Nesta modalidade, podem ser propostos Grupos de Trabalho já fechados (com a devida indicação do respectivo coordenador) ou comunicações avulsas, que serão analisadas e agrupadas pela Comissão Organizadora do Congresso que, neste caso, sugerirá o coordenador. A data limite de envio das propostas, com os textos completos em português/espanhol e inglês é 7de Dezembro. Os trabalhos podem ser apresentados por profissionais, docentes e investigadores da temática (incluindo alunos de doutoramento). Cada apresentação deve respeitar o tempo máximo de 15 minutos por trabalho.

Os trabalhos enviados para os Grupos de Trabalho devem indicar o grupo temático em que se enquadram:
GT 1 – Reflexões e apropriações dos conceitos de ócio, tempo livre e lazer;
GT 2 – Culturas contemporâneas, subjetividades e tempos sociais;
GT 3 – Aceleração contemporânea e estilos de vida;
GT 4 – Tempo livre, identidades e subjetividade;
GT 5 – Tempo livre e apropriação do espaço: repensar a cidade como lugar de vida;
GT 6 – Turismo: o tempo livre entre consumo e contemplação;
GT 7 – Cultura popular, festa e ócio;
GT 8 – Tempo livre e os prazeres nos lazeres gastronômicos;
GT 9 – Ócio, criatividade, artes e livros;
GT 10 – Tempo livre e ciclo vital.

As atas dos trabalhos apresentados nas Mesas Redondas e nos Grupos de Trabalho serão disponibilizadas pela organização do Congresso em formato CD (com ISSN). Alguns trabalhos poderão ser indicados para publicação num número especial da Revista do Programa Doutoral em Estudos Culturais / Universidades de Aveiro e do Minho, Estudos Culturais – Revista Lusófona.

As línguas oficiais do Congresso serão o Português, Espanhol e o Inglês, mas os congressistas poderão usar a língua que entenderem. Em qualquer dos casos, a Comissão Organizadora solicita aos participantes que enviem uma versão dos seus textos em Inglês para que seja projetada durante a apresentação ao Congresso, possibilitando assim a compreensão generalizada das comunicações.